Estação Biológica

Segundo Tydecks et al. (2016) e McNulty et al. (2017), estações biológicas são:

  • Laboratórios naturais para pesquisas que envolvem desde experimentos simples até pesquisas de alta tecnologia.
  • Centros de treinamento para estudantes e pesquisadores em formação.
  • Espaços para educação ambiental e engajamento público.
  • Repositórios de dados de longo prazo e coleções de plantas e animais, que são valiosos para entender mudanças locais e globais.

Considerando que estão distribuídas em todos os biomas do planeta, abrangendo ambientes terrestres, de águas continentais e marinhos, as estações biológicas têm ganhado papel crucial para o monitoramento de alterações climáticas e uso da terra, o que ajuda a entender as mudanças ambientais que afetam a saúde humana. Aqui estão alguns exemplos:

  • Monitoramento da qualidade da água: Estações biológicas frequentemente monitoram a qualidade da água em rios e lagos para detectar poluentes e mudanças na composição química que podem afetar a saúde humana.
  • Previsão de eventos extremos: Fornecem dados climáticos para a previsão de eventos extremos como tempestades e secas, que podem ter impactos diretos na saúde pública, como aumento de doenças respiratórias e desidratação.
  • Monitoramento de mudanças na cobertura vegetal: Drones e satélites são usados para monitoramento de mudanças na cobertura vegetal e desmatamento, ajudando a entender como essas mudanças podem influenciar a propagação de doenças transmitidas por vetores, como a malária.
  • Mudanças climáticas: Sensores ambientais instalados em estações biológicas medem parâmetros como temperatura, umidade e qualidade do ar, fornecendo dados essenciais para avaliar como mudanças climáticas podem afetar a saúde humana, especialmente em áreas urbanas.

Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica - EFMA

A Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica, criada em 2016, tem como missão apoiar, estimular e acolher, no seu perímetro e área de influência, a pesquisa, a inovação, a educação e a disseminação e divulgação de conhecimentos sobre a complexidade socioambiental e a relação entre biodiversidade e saúde, no âmbito da missão da Fiocruz. Além disso, tem o compromisso de contribuir na conservação e restauração ecológica do remanescente de Mata Atlântica na região da Colônia Juliano Moreira, em consonância com a missão do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), que está parcialmente sobreposto à EFMA. Assim, ela funciona como:

Laboratório natural para pesquisas na interface entre biodiversidade e saúde.

  • Laboratório para experimentação de tecnologias sociais para a resolução de problemas socioambientais de comunidades que vivem adjacentes a remanescentes de vegetação, sem acesso a serviços básicos, como saneamento e fornecimento de água potável.
  • Local de monitoramento da qualidade da água que abastece parte da Colônia Juliano Moreira.
  • Local de coleta de dados climáticos e ambientais para a região de Jacarepaguá, por meio de uma das três estações meteorológicas automatizadas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) disponíveis na cidade do Rio de Janeiro.
  • Espaço para educação socioambiental.
  • Reserva para conservação da biodiversidade e preservação do patrimônio natural.

Em comparação às demais estações biológicas pelo planeta (> 1730), a EFMA se destaca como a:

  • 1ª Estação Biológica do Ministério da Saúde
  • 1ª Estação Biológica do Município do Rio de Janeiro
  •  1ª Estação Biológica do planeta com foco primário em estudar relações em biodiversidade e saúde
  • 4ª Estação Biológica do planeta em área de elevada intervenção antrópica

Sua área total compreende 86% da área do campus da Fiocruz Mata Atlântica, abrangendo todas as áreas não edificáveis do campus (definidas como zonas intangível, primitiva e de recuperação no plano diretor) devido à sua importância para preservação e potencial para restauração ecológica. Esse zoneamento reflete um gradiente de impacto antrópico, sobre o qual foram instaladas quatro parcelas permanentes para pesquisas de longa duração sobre dinâmica florestal, biodiversidade e ecologia de hospedeiros e vetores.

Parcelas Permanentes de Biodiversidade

Em 2016, iniciamos a implantação de quatro parcelas de 1 hectare cada, distribuídas ao longo de um gradiente de impacto antrópico, que vai do peridomicílio (P1, área mais alterada) ao interior da floresta (P4, área mais preservada), se estendendo por cerca de 4 km linearmente. Em cada uma dessas parcelas foi feito o levantamento fitossociológico e estudo florístico e todos os indivíduos arbóreos com DAP (diâmetro à altura do peito) ≥ a 5 cm tiveram seu DAP medido e foram georreferenciados, marcados com placa de alumínio e identificados em

nível de espécie. Para entender a dinâmica da vegetação, a cada 5 anos todas as parcelas são revisitadas e todas as árvores com DAP igual ou maior a 5 cm são (re)medidas.

Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (áreas em verde), com a distribuição das quatro parcelas permanentes para pesquisas em biodiversidade e saúde

Exemplo de uma parcela

Conservação da biodiversidade genética – marcação de matrizes e coleta de sementes

Um dos objetivos do  PDCFMA é fomentar projetos que visam a marcação de matrizes florestais e coleta de sementes florestais com qualidade genética, para a produção de mudas a serem utilizadas nas ações de restauração ecológica do na EFMA. A sustentabilidade dos projetos de restauração ecológica está diretamente relacionada à origem das sementes e à produção de mudas de boa qualidade e alta variabilidade genética. A coleta de sementes para a produção de mudas é realizada nas áreas localizadas no Campus Fiocruz da Mata Atlântica, no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, RJ.

A escolha das espécies arbóreas é referenciada pelos seguintes critérios: ameaçadas de extinção; atrativas para a fauna; potencial medicinal; plantas alimentícias não convencionais (PANC) e melíferas.

O projeto de marcação de matrizes começou em 2011 e tem 552 matrizes georreferenciadas de 173 espécies.

Distribuição das matrizes florestais marcadas na EFMA e grau de ameaça

Conservação de abelhas nativas sem ferrão

Considerando que (i) as abelhas prestam importante serviço ecossistêmico como polinizadoras, além de fornecerem mel e outros produtos apícolas; e que (ii) o uso intensivo de agrotóxicos, desmatamento e mudanças climáticas têm impactado diretamente na conservação das abelhas, diminuindo suas comunidades e afetando a produção de alimentos;  foi instalado um meliponário na área do Horto-Escola, que compreende a Estação Biológica, para conhecer, conservar e difundir informações sobre as abelhas nativas sem ferrão. Esse projeto visa atender escolas e a comunidade em geral.

Instalações e serviços de apoio à pesquisa disponíveis na EFMA:

  • Salas de aula equipadas para videoconferência e um auditório
  • Sala para pesquisadores externos e visitantes, com estações de trabalho
  • Estação meteorológica automatizada – https://mapas.inmet.gov.br/
  • Apoio logístico para trabalhos de campo
  • Assessoria em espacialização de dados, sistemas de informação geográfica e cartografia
  • Área para preparação de material botânico
  • Laboratório de sementes
  • Estufa para preparação exsicata
  • Banco de sementes
  • Dormitório para pernoite durante trabalhos de campo
A qualidade de vida está diretamente relacionada com os fenômenos naturais e a interferência do homem no ambiente, sendo assim, a cooperação entre a Fiocruz e o INMET permite o estudo do microclima da Colônia e a sua relação com o ambiente, a saúde e o bem-estar da população da região. Além dos benefícios para a Estação Biológica do Campus Fiocruz Mata Atlântica, os registros da Estação Meteorológica permitem avaliar as condições climáticas da região em relação aos dados coletados em outras partes da cidade do Rio de Janeiro
Crédito: Lin Lima 
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